sábado, 4 de abril de 2015

Páscoa: Passagem, Ressurreição ou ABANDONO?

Por Renata Bicudo Molinari e Juliana Zacarkin dos Santos



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A Palavra hebraica "pessach", que deu origem à palavra Páscoa, significava passagem e fazia alusão à libertação do povo judeu e, mais tarde, passou a ser usada também pelos cristãos para se referir à Ressurreição (passagem da morte para a vida) de Cristo. 

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No Hemisfério Norte, costumava-se comemorar a Páscoa não no dia em que Cristo em teoria Ressucitou, mas sim na transição do Inverno para a Primavera, uma vez que as plantas floriam, os animais saiam de suas tocas, a vida florecia novamente e, como comemoração a isto, se trocavam ovos entre os moradores das aldeias da época em questão. 

Os ovos podiam ser decorados com pinturas da Primavera, apenas pintados com cores diferentes, outros, dependendo da região e cultura local, pintavam imagens de Cristo, Maria ou outros símbolos cristãos ou, em algumas localidades, como em alguns países da Europa, escreviam-se mensagens com datas para presentear amigos e parentes.
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Apesar do motivo pelo qual houve uma transição de ovos de galinha (principalmente) para ovos de chocolate ser bastante controvérsia, um dos possíveis motivos foi o crescimento da indústria de chocolates, em 1830, na Inglaterra, o que havia estimulado o comércio a divulgar e a estimular a substituição dos convencionais ovos pintados pelos deliciosos ovos de chocolate. Jogo de marketing esse que, ano após ano, continuamos vendo acontecer. 

Porém, o símbolo que mais causa questionamento ético, no momento, por parte dos ambientalistas e protetores de animais é o coelho, ou "Coelhinho da Páscoa", o qual simbolizaria a propagação da palavra de Deus por parte da Igreja a seus fiéis, mas, hoje em dia, é usado como mais um ítem de consumo e captação de dinheiro por parte de petshops, supermercados e empresas que lucram em datas como estas. 
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Um dos problemas vistos hoje é que, conforme a Páscoa se aproxima, mais e mais pessoas procuram os petshops atrás do fofo e simbólico coelhinho, como menciona o funcionário de petshop Marcelo Dias Arantes ao G1, as vendas destes animais tendem a crescer em 50% nesta época do ano, sendo a preferência por filhotes, por serem mais dóceis. E pior, uma veterinária, sra. Débora Muriel Silva, afirma que os coelhos são PINTADOS de cores diferentes e chamativas para atrairem maior número de clientela, uma vez que as crianças se encantam pelos animais coloridos. 

E aí nós temos dois problemas:

1- ABANDONO: O que é feito com os animais depois da Páscoa? Será que ao adquirir o animal, os tutores se informaram de suas necessidades nutricionais, comportamentais e de espaço? Será que questionaram sobre cheiro, hábito roedor (que rói inclusive móveis e plantas do jardim)? Será que pesqusiaram quanto tempo vive este animal?

2- O risco de intoxicação dos animais com a tinta usada para "colorí-los" e o estresse sofrido pelo animal

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Sim, o risco de intoxicação por tinturas é grande, a pele tem os poros fechados, o animal pode desenvolver vários problemas de saúde em decorrência a isso e, quanto ao problema do ABANDONO e maus-tratos, bom, isso é algo bastante comum de acontecer pós-Páscoa uma vez que, por muitas vezes, os pais compram na euforia do momento, vendo a felicidade dos filhos com o animalzinho ou por acreditarem que a criança irá ficar feliz ao ver que o Coelhinho da Páscoa foi pessoalmente entregar os ovinhos e não pesquisam nenhum dos cuidados acima mencionados, como disponibilidade de local, cheiro dos dejetos, necessidades alimentares, interação com outros animais humanos ou não-humanos, dentre outros e, quando passa o domingo de Páscoa e essas questões começam a aparecer, a tendência das pessoas é optar pelo abandono ou sacrifício, muitas vezes de maneiras brutais, dos coelhos. 

Logo, o que se aconselha, é que, antes de adotar ou comprar um animal não-humano, se pesquise sobre a espécie, verifique se TODA a família está de acordo com sua chegada e se TODOS tem disposição e condições de mantê-lo de forma segura, adequada e visando seu bem-estar e saúde. Além disso, analise sempre a possibilidade de comprar um bichinho de pelúcia, um ser inanimado que não sofrerá quando a criança cansar de brincar e o deixar de lado. Coelhos são seres sencientes e, como todo ser vivo, merecem respeito e cuidados e não serem tratados como meras mercadorias sazonais. 

Além disso, lembrem-se sempre que na Páscoa celebramos a Ressurreição de Cristo, o qual pregava o AMOR AO PRÓXIMO E À TODAS AS CRIATURAS VIVAS, temos nós o direito de sacrificar e submeter esses animais à sofrimento e estresse para satisfazer nossas fantasias e modismos? 

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Obrigada e boa Páscoa a todos! 






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